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Carlinhos Veiga é goiano. Recebeu através da família forte influência musical nas cantorias e serenatas. Essas marcas continuam bem presentes em sua vida e obra. Sua, trajetória musical vem desde 1983, com a participação no grupo musical Expresso Luz, onde teve a oportunidade de viajar por esse imenso Brasil, conhecendo seus brasis, levando aos quatro cantos suas canções. Desde então vem dedicando sua arte à tarefa de expressar a beleza da vida, dom de Deus, através dos ritmos dessa terra.

Em 1990, introduziu a viola caipira em seu trabalho, o que inaugurou uma fase diferencial nessa trajetória. Cinco anos mais tarde, participou do Prêmio BEG Natureza, promovido pelo Banco do Estado de Goiás, recebendo o prêmio maior na categoria canção. O resultado foi a gravação de seu primeiro CD solo, TERRA (1995), uma produção independente.

Em 1997, transferiu-se para a Capital Federal, desligando-se do Expresso Luz. Porém, não abandonou seus ideais com a música. Seguiu em frente, levando adiante seus projetos. A prova disso é o lançamento do CD MENINO pela produtora Estação Um, em março de 1999.


Em 2002 lançou o MATA DO TUMBÁ, seu terceiro trabalho solo. É possível perceber claramente que nele Carlinhos busca a valorização da musicalidade brasileira de raiz. Enfatiza instrumentos como a viola caipira, viola de cocho, charango e a rabeca. A grande inovação no “Mata do Tumbá” foi a busca de uma sonoridade acústica mais fiel. A bateria foi substituída por percussões. Até o som do baixolão, que aparece em várias faixas, foi captado a partir de microfones. Ritmos como o bumba-meu-boi, pagode de viola, folia de reis, marcaram presença. A faixa, “Uma vida melhor” foi gravada tendo por acompanhamento a viola de cocho e uma rabeca artesanal, instrumentos raros no meio musical contemporâneo. O consagrado músico Hélio Delmiro participou especialmente em 3 faixas, ora com seu violão ímpar, ora com a viola caipira. Nesse álbum, Carlinhos incluiu dois temas instrumentais: Cezinha e Mata do Tumbá.

Com uma banda consolidada, formada por músicos competentes, gravou em 2003 um novo CD chamado SANTA LOUVAÇÃO. Foi gravado praticamente ao vivo em estúdio, por isso cognominado “quase ao vivo”.

Em 2005, lançou SIRIPEQUI – entre mangues e cerrados, numa parceria com o músico capixaba Rogério Pinheiro. Nesse trabalho, Veiga e Pinheiro cantam suas regiões, explorando ritmos e linguagens, sons e belezas naturais. A idéia do CD surgiu a partir da parceria de algumas canções. Resolveram cantar suas terras: o mangue e o cerrado, o siri e o pequi: por isso “Siripequi”. Nas canções, esbanjam poesia e harmonia, descrevendo as belezas regionais. Este trabalho tem uma concepção praticamente acústica e valoriza os violões, a viola caipira, a percussão e o acordeom.

FLOR DO CERRADO (2007) é o seu último trabalho e se caracteriza por ser um passeio sonoro pelo Brasil interior. Nele, registra canções de sua autoria e de outros compositores que possuem um significativo e importante trabalho na música popular brasileira. As canções regionais já consagradas pelo público em geral como “Pagode em Brasília” e “Poeira” são revisitadas com novos arranjos. O CD tem o patrocínio e apoio cultural do FAC – Fundo de Arte Cultura, da Secretaria de Cultura do GDF.

Nos últimos anos, Carlinhos se apresentou em Brasília na sala Martins Penna do Teatro Nacional, Teatro SESI de Taguatinga, Projeto Cultural da Aliança Francesa, Estação 504 do SESC, Feitiço Mineiro, Sala Cássia Eller do Complexo Cultural da Funarte e Clube do Choro. Apresentou também seu trabalho nas cidades de Goiânia, Belo Horizonte, Vitória, Belém, Porto Velho, Tatuí (SP), Maceió, Olinda, Rio de Janeiro, São Paulo, Pelotas (RS), Curitiba, Florianópolis, Londrina e em países como Angola, Estados Unidos, Portugal e Itália. Um próximo projeto incluiu apresentações da cultura musical brasileira por países do continente africano ainda em 2008.

DVD CHÃO

Em abril de 2010 aconteceram as gravações do DVD “Chão” na histórica cidade de Pirenópolis-GO.

A produção geral foi da Toca de Barro Filmes (de Jader Gudim e Davi Julião, idealizadores do programa Plataforma), que reuniu para o projeto um time de profissionais de primeira linha.

As gravações aconteceram em dois locais distintos. Um desses locais é a Fazenda Babilônia, cuja fundação se deu no século 18. Originalmente chamada de Engenho São Joaquim, era considerada, na época, a maior empresa agrícola do Estado de Goiás e um dos maiores engenhos de açúcar do Brasil. Além da cana de açúcar, a fazenda cultivava também – em escala industrial – a mandioca e o algodão, objetivando a produção de farinha e fios de algodão sendo, este último, destinado à exportação para a Inglaterra que, em plena Revolução Industrial, comprava toda a produção de algodão goiano, cuja fibra era considerada uma das melhores do mundo. A produção da fazenda era tão intensa que contava com cerca de 200 escravos, sendo 120 homens para o trabalho e 80 mulheres e crianças.

O outro local é o Cine Pireneus, Construído em 1899, ao lado da praça da Matriz, por Sebastião Pompeu de Pina em estilo eclético com elementos do colonial e do neoclássico, com estrutura de madeira aparente e paredes de adobe. Por décadas foi intensamente utilizado, para apresentações de óperas, danças e peças teatrais. Naquele tempo, início do século XX, as peças, principalmente as operetas, duravam várias horas com vários atos, entre um ato e outro, enquanto se preparava o palco, as famílias se entretiam trocando quitandas, cafés, lanches e bebidas. Foi restaurado nas comemorações do seu centenário com o desenho e estruturas originais preservados sendo acrescentados espaços de apoio como camarins e depósitos. O fundo do teatro se liga ao cinema através de seus quintais formando um entroncamento cultural com pequeno palco ao ar livre para apresentações.

Esse é o “pano de fundo” que compôs, juntamente com a musicalidade de Carlinhos Veiga, fincada nas raízes da genuína cultura brasileira, o projeto Chão – Carlinhos Veiga e Banda cujo lançamento acontecerá no dia 31 de Junho de 2011, em show especial, no Prosa & Canto Festival.

Seguem abaixo mais algumas fotos – feitas na fase de pré-produção – e o teaser do projeto.

Fontes [online]: http://www.pirenopolis.go.gov.br e http://www.fazendababilonia.tur.br/